domingo, 21 de outubro de 2012

Relógios adiantados, nação atrasada



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O horário de verão tem o intuito de economizar algo próximo aos 280 milhões de reais em energia elétrica durante seus quatro meses de vigência. Opa, lucro! Mas o tal do adiantar o relógio diverge opiniões e mexe bastante com a vida alheia... O trabalhador que levanta cedo geralmente odeia ver o céu todo escuro quando acorda. A coisa pode ser tão psicológica que, só porque a luz do sol ainda não irradiou dentro do quarto, a sensação é de que a noite ainda faz sua vigília e o sono toma conta ainda mais do que nos dias normais fora do novo horário. É claro que também existem aqueles que acabam trabalhando com o céu ainda escuro, tendo suas energias sugadas pelo dia que mal amanheceu. Uma realidade cansativa e que tem muito a dizer sobre a cara do país. 
Acredito que a mudança de horário aconteça entre o sábado e o domingo justamente porque maioria dos brasileiros não tem muitas obrigações no primeiro dia da semana. O problema é que grande parte dessa galera que odeia o horário de verão não consegue se adaptar num único dia. Demoram semanas pra entrar no ritmo. Tudo bem, eu sei que isso é uma questão do corpo. Mas muitas vezes o problema vem do psicológico. A pessoa já acorda nervosa, querendo dormir mais, estando ciente de que não pode. Pronto. É desse jeito que cada um colabora pras manhãs escuras serem um fiasco a si mesmo! 
Já alguns que geralmente saem da aula ou do trabalho no começo da noite amam o horário novo. Quando colocam o pé para fora, respiram liberdade com o céu claro! Já fui um desses. Quando eu estava no ensino médio eu saía da aula quase as sete da noite. E pior:  havia uma parede só de janelas na sala, ou seja, a gente via o dia passar mesmo. A última aula começava as seis, o sol já tinha se retirado quase que completamente e uma turma do quinto ano estava indo embora. Imagine nossa animação com isso tudo... Na metade da aula o céu já havia enegrecido e a vontade que tínhamos era que a aula ganhasse uma maratona de velocidade. Que nada! Se competisse ficaria em último. Em compensação, quando o horário de verão chegava, era uma maravilha... O céu ainda estava claro e o sol se pondo. Dava uma sensação melhor inclusive se tivesse prova na última aula. 
Mas também já fui dos que odiavam o horário. Quando entrei para a quinta série, esse foi meu primeiro ano estudando de manhã. No primeiro dia de aula foi tenebroso! Quando acordei eu me sentia acordando às duas da manhã... Aquele horário era um afronto a meu humor matinal. Depois de alguns anos, me acostumei.
O problema está justamente onde o horário de verão afeta quem já precisa lutar muito pela sobrevivência. Aquele pobre cidadão cuja sobrevivência é alcançada através de um trabalho árduo, muitas vezes antecedido por uma noite mal dormida e um despertar nada agradável. Dentro de um país como o nosso, mudanças como essa sempre poderão ser vistas de vários pontos. Tá aí o motivo de tanta divergência. 
O tal do horário de verão agrada uns, mas não outros. Só que não há saída. É quase impossível querer viver no horário normal com tudo e todos a sua volta funcionando com outro horário. O lance é:  Se você acorda em boas condições e está reclamando do horário de verão, pense nas pessoas que já estão nas ruas, lixões, canaviais fazendo seu trabalho difícil. Pense que nesse grupo de pessoas você vai encontrar muitas que mesmo sob essas condições conseguem sorrir. 
Quando se fala em Brasil, até o adiantamento de uma hora nos relógios coloca em pauta os problemas sociais. Os relógios se adiantam, mas a nação continua atrasada...

Luís Fellipe Alves
 



8 comentários:

  1. Hugo, gostei desse assunto agora! Lembro que passei anos reclamando desse maldito horário. Porém cheguei à conclusão que não é o horário em si que eu reclamava e sim da 'mudança'. Pois não é que estou gostando!! Então fica a pergunta: por que não deixam sempre esse horário? Essa resposta gostaria de tê-la!
    Assisti um médico, esta semana, falar que a mudança, na verdade, não causa tanto 'dano' como falam. E pensando... também acho um exagero! É só 1 hora de diferença.

    Abraços, amigo!
    Tais

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    1. Exatamente, é a mudança! E olha amiga, realmente não vejo muita diferença... Acordo normalmente, não me sinto cansado além do normal como as pessoas dizem estar... Em qualquer lugar você encontra pessoas reclamando do horário... Desde que você vá dormir no horário de costume e seu período de sono seja o mesmo eu não vejo qual o problema tão grande que o corpo seria capaz de causar por um adiantamento de uma hora apenas! É uma questão de adaptação e concordo com você que esse horário realmente poderia ser fixo! Sabe qual o problema? Se 4 meses já reduzem o total gasto em energia em 280 milhões, em doze meses esse total seria três vezes maior. Aí as companhias de energia iriam ficar loucas! rs

      Abraços, Tais!

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  2. Oi Hugo!

    Interessante essa análise que você fez dos motivos para "amar" ou "odiar" o horário de verão. Nesse assunto, sinto-me um caso a parte: não amo, nem odeio, apenas entro no ritmo da nova música! Sei que não é tão fácil assim para maioria da população, que sofre com o adianta/atrasa, reclama, fica nervosa... para mim, biologicamente falando, não faz a menor diferença! Sempre tive excelente capacidade de adaptação (de um modo geral) e particularmente gosto de mudanças ao invés de me assustar com elas... lendo meus textos, você entenderá este meu perfil nômade rsrsrs Porém, embora compreenda as dificuldades de alguns, acho que reclamar virou uma mania: no inverno, reclama-se do frio extremo; no verão, o vilão é o calor; e assim por diante. De tudo reclamamos! Se fôssemos, enquanto povo, um pouco mais positivos, penso que seríamos mais felizes e aproveitaríamos melhor a vida!

    Excelente texto, atualizadíssimo! É um prazer estar aqui interagindo e compartilhando ideias e pontos de vista. Um abraço!

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    1. Oi Suzy, seja bem vinda ao blog!

      Somos bem parecidos então quando se fala em mudanças! Querendo a gente ou não acabamos entrando numa rotina todo ano. Essas mudanças como a do horário são sempre uma quebra que traz essa sensação de . Gosto muito dos últimos meses do ano, não muito pelas festividades comuns, mas sim pelos momentos memoráveis que marcaram minha vida justamente nesses meses. Os "fins" que seguem o andar de um ano, sabe? E acabei tendo o horário de verão como um sinal dsse fim de ano. Biologicamente o horário novo também não me afeta.

      Quanto a reclamar ter virado uma mania, concordo totalmente. Estava conversando isso com uma amiga esses dias quando o tempo aqui da cidade mudou drasticamente de calor pra frio. Aí você você já viu né? Se antes a reza era "Não aguento mais esse calor" ela se tornou, em questão de uma noite "E esse frio? Credo!" De fato, se nós parássemos com esse blá blá blá todo e aproveitássemos cada momentinho do calor louco e do frio dominador, seríamos mais felizes, minha amiga!

      O prazer é meu em recebê-la aqui no meu blog! Muito obrigado pelos elogios, volte sempre!
      Abraço!

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    2. rsrsr, e entrando na conversa de vocês, sobre as reclamações, poxa... isso é mais do que verdade! Quando está frio, é um horror; quando está quente...é outro horror! E já viram que isso virou mania de elevador? todo santo dia escuto isso. Parece que virou papo quando não se tem mais o que dizer, então apela-se para a meteorologia!!

      Abraçosss, gente. A Internet aqui está um horror, deve ser o calor!!!!

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    3. Exatamente, Tais! Meteorologia é a pauta que substitui o silêncio nesses momentos como o do elevador! Isso está bem universal... Mas sabe que um senhor um dia me surpreendeu? Entrou no ônibus e sentou-se ao meu lado. Claro, começou com um "que calor é esse?" e seguiu pra pauta política! Só que gradualmente ele foi se exaltando até que no final ele já estava quase protestando de tão alto que falava. Nesse caso eu preferiria ter ficado na velha meteorologia! rsrs

      Ah, esse calor atrapalhando até a internet. Vou te contar, viu! hahaha
      Abraço!!!

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  3. Escreves muito bem, cara. Parabéns pelo blog. Abraço.

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    1. Seja bem vindo ao blog e muito obrigado, Al Reiffer.
      Abraço!

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Obrigado!




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