quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Brasil de co[s]tas


Revista Época
“Presidente Dilma sanciona lei que cria cota de 50% nas universidades federais”
 

O governo, sempre em sã consciência e astuto, entendeu que os alunos de escolas públicas do ensino médio precisariam de algo que desse a eles maior possibilidade de um ingresso em instituições de ensino superior público, que possuem um ingresso mais rígido e de caráter altamente eliminatório. É ou não é assumir que a educação desses alunos vestibulandos foi horrível nesses anos todos e agora precisariam de um privilegio que os ajudasse? Para que as estatísticas não começassem a mostrar a verdadeira face do ensino público fundamental e médio em relação ao ingresso no ensino superior público, foi preciso dar um jeitinho. Eis a lei sancionada.
Não sou totalmente desfavorável às cotas. De início apoio que elas existam e o motivo é claro: esses alunos que já concluíram seus estudos ou estão bem próximos de tal conquista, não têm volta. Eles estão terminando suas vidas escolares. Como seria possível tirar-lhes o privilégio agora sem que eles pudessem se aproveitar de mudanças no ensino (se chegarem a acontecer)? Então as cotas, por enquanto, devem ficar.
Minha contrariedade em relação ao sistema cotista é justamente no que tangencia a questão do ingresso justo por meio do sistema de vestibulares. As provas foram criadas justamente para selecionarem do grupo de vestibulandos a quantidade capaz de preencher as vagas, de acordo com o grau de desempenho. As cotas são um reflexo da péssima educação nacional e privilegiam uma parte dos alunos, quando na verdade todos deveriam receber o ensino de qualidade, na mesma medida, para que então, de forma equânime, fossem julgados de acordo com seu desempenho.
 Se as cotas ficam por um tempo, a educação tem que mudar. E muito. O Brasil forma milhares de analfabetos funcionais todos os anos. Aqueles que sabem ler e escrever, mas não conseguem entender e interpretar um artigo de jornal. E aí, como isso fica? As cotas precisam sair de cena, mas primeiro é preciso que a educação passe por uma transformação tão intensa que sugue todos seus próprios defeitos. É preciso que o problema seja cortado pela raiz. Desde a colonização, talvez? Se o problema começou aí, é preciso buscar o ponto onde está o defeito.
Embora o esforço pessoal não seja relativo a tipo de instituição – pública ou privada – sabemos que o ritmo de uma universidade é intenso. Como muitos alunos conseguirão acompanhar isso? As escolas particulares preparam seus alunos para esse ritmo gradualmente. Já as públicas, não. Mas deveriam. São realidades diferentes que muitas vezes não são nem conhecidas por seus opostos. Alguns alunos de escolas particulares, por exemplo, mesmo sabendo dos problemas das escolas públicas, não imaginam que em grande parte delas a realidade seja: carteiras ruins, salas quentíssimas e apertadas, falta de recursos que tornem a aula mais dinâmica, falta de materiais de qualidade, limpeza precária, descaso patrimonial entre vários outros problemas. E se sabem, não vivem isso na pele. O mesmo acontece com o aluno da escola pública que por mais que imagine como é a estrutura de uma particular, não vive na pele a realidade: reprodutores de vídeos em 3D, quadros digitais, apostilas completas, salas climatizadas, espaço necessário, ambientes para vários tipos de disciplinas.

 Mas mudança é algo mais difícil do que parece. Por que diabos o governo gostaria de quase duzentos milhões de pessoas inteligentes, capazes de interpretar artigos de jornais e, claro, captar os problemas sociais, econômicos e políticos com uma visão diferenciada e crítica? Isso não seria exatamente benéfico para eles... Tá aí a questão. Para as cotas saírem, depende da mudança do Estado em relação a educação. E o Estado não está disposto a fazer uma transformação gigantesca no sistema educacional para, no futuro, sofrer as consequências de uma sociedade crítica.
A sociedade foi muito bem treinada para não questionar. O que falta ao nosso povo é justamente perceber de uma forma clara toda a palhaçada que vem acontecendo no Brasil. Contudo não é simples como parece. Não é fácil que uma pessoa de sessenta anos, por exemplo, mude seus pensamentos e passe a enxergar a precariedade do ensino de seu neto de um ângulo que a impulsione a lutar por um futuro melhor da educação. Não é fácil mudar o que o governo passou anos construindo e que continua fazendo. Somos estáticos. Nossas bocas sempre estarão dispostas a reclamar dos problemas, mas nossas mãos dificilmente estarão dispostas a segurar uma responsabilidade de luta; nossas cabeças dificilmente estarão prontas para assumir a nossa participação nesse enorme grupo de comuns. Mal conseguimos nos segurar quando nos tiram da zona de conforto.
Felizmente, em alguns casos, essa realidade está mudando. Resta a esperança de que um dia sejamos uma nação educada e de que o Estado deixe de dar as costas para um problema gritante, que implora por soluções eficazes, concretas e justas.
Luís Fellipe Alves


27 comentários:

  1. Olá Luís tudo bom...
    As cotas nas universidades, além de demonstrar tudo o que você listou acima, também revelam um preconceito enorme da população...
    O próprio fato de você tratar alguém diferente de sua cor ou classe social já é um preconceito, e as cotas nada mais são que propriamente isso... Você tratar diferente uma pessoa que estudou em escola pública da particular, por ser negro do branco... Mesmo sendo para o "bem"...
    CONTINUA SENDO UM PRECONCEITO...

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    1. Olá Felipe, tudo sim e com você?
      Concordo totalmente! Não incluí esse fato importantíssimo, talvez porque eu tenha focado bem em "ensino público", mas os negros estão realmente inclusos nesse sistema. Eu esava dando uma olhada no site Brasil Escola onde achei um esquema disponibilizado pelo MEC pra ficar mais claro o que significam as cotas e como acontece a divisão:
      http://vestibular.brasilescola.com/cotas/lei-das-cotas.htm

      Se você notar os negros, pardos e indígenas fazem parte apenas das ramificações dos 50% das escolas públicas. Isso é total preconceito. É afirmar não só que o ensino é horrível, mas também que as raças ali citadas não tem as mesmas condições de ingresso nas boas universidades como os demais tem. Se isso procede ou não, não tenho como dizer. Mas se realmente os negros, pardos e indígenas tiverem menores chances nas universidades comprovado por dados estatísticos, temos aí um preconceito nacional ainda maior! Infelizmente é assim que o "país da diversidade" trata seus diversos...

      Um abraço.

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    2. Oi meninos,

      Concordo plenamente com vocês. AS cotas ajudam a preservar a discriminação. E mesmo sendo boas de um lado, como você disse Luiz, pois ajudam aqueles que já foram prejudicados durante muito tem, mas por outro lado, ajudam no status quo. Acho que é quase um clamor onde se pede que as coisas permaneçam sempre do mesmo jeito.

      Fico triste e indignadas com situações assim! .(

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  2. Luís Fellipe,

    Gostaria de ver este texto, de sua autoria, estampando nossos jornais de grande circulação, pois você falou muita verdade que precisa ser dita. Falou com a visão de um jovem que se preocupa com seu futuro, com sua educação, mas falou principalmente com a maturidade de um cidadão que busca caminhos e oferece sugestões para ver seu país seguindo em frente e não andando sempre de co(s)tas no que diz respeito ao tema Educação. Precisamos, sim, evoluir, precisamos abrir caminhos e você dá algumas dicas preciosas de como fazê-lo. Seus questionamentos são interessantíssimos! Entendo da mesma forma que você essa questão das cotas... é o reconhecimento da ineficiência do ensino público em comparação com o privado! Significa atestar publicamente um atraso visível.

    Tudo muito bem pontuado, texto primoroso! Um abraço.

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    1. Olá Suzy!

      Primeiramente devo agradecê-la, é com os olhos brilhando que leio seu comentário. É gratificante receber um elogio de uma pessoa que desliza nas crônicas. Obrigado mesmo.
      Você entendeu perfeitamente a essência do escrito, a educação está em regressão... Esse é um tema muito polêmico, mas que tem informações-fato. O resultado é mostrado por aí nas pesquisas referente a educação... A grande quantidade de pessoas que abandonaram a escola, outras que foram até o final, mas não tem como dar um passo adiante, pois nada ganharam com os estudos. É uma pena que as coisas sigam assim.
      Fala-se em falta de interesse. Mas não é que tudo rege pra falta de condições? O Estado não se interessa em manter o aluno em sala! Iria ser muito estranho se pesquisas revelassem o pequeniníssimo número de ex-alunos do ensino básico público em universidades públicas. Daí surgem as ideias "geniais" do governo de "ajustar" o que for mais fácil. Lamentável!

      Muito obrigado, mais uma vez. Adoro sua presença por aqui.

      Abraço!

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  3. Um blog de comentários e temas atuais e lúcidos,vale muito discutir certos pontos, é a participação da sociedade no que lhes aflige ou personifica.A questão vai além de concordar ou não,o fundamental e causar discussão e participação.Abraço de leitor que segue seu blog.:-BYJOTAN.

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    1. Byjotan, seja bem-vindo ao blog e obrigado por seguir.

      Agradeço pelo comentário. Esse é um espaço onde muitas vezes vou estar falando de um modo bem cotidiano sobre os problemas do mesmo... E é com a ajuda de vocês, autores e leitores, que vou seguindo!
      Obrigado e um abraço.

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  4. Olá, Fellipe!

    Penso numa certa utopia! A coisa por aqui é sempre difícil. O que os alunos precisam é uma base forte, e não condescendência com o mau ensino básico e secundário para esses alunos que entram no esquema das cotas.
    O ensino deveria ser obrigatório e com penalidade aos que negassem esse direito às crianças. Lógico que o Estado se faria presente no custo. Bancaria a educação lá atrás, para todos os necessitados, e não agora, sem uma base boa. E é isso aí que acontecerá: como sairão os profissionais, médicos, advogados, arquitetos, engenheiros... Se a coisa já não anda muito boa, o que poderemos esperar no futuro com a continuação precária do estudo básico? Poxa, é tão simples ver isso. Depende de vontade política, e verba, o que nunca é repassado como deveria.

    Veja bem o que sai em provas de vestibular, com alunos que chegam de escolas particulares, alunos com boa alimentação e de classe média e média alta.

    Mas já ouvi, também, opiniões diferentes: que é a maneira de saldar uma dívida antiga – dos brancos – que escravizaram índios e negros tirando-lhes qualquer possibilidade de crescerem, de estudarem, de trabalharem com dignidade.

    Taí o impasse. Falta mais do que nunca um Estado presente.
    Não adianta remendos. Mas qual brasileiro que não conhece o Brasil e seu governo? Hã???

    Abraços, amigo!
    Bela crônica.

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    1. Olá, Tais!

      É quase impossível acreditar que as coisas vão mudar. Creio que o ensino fundamental seja obrigatório por lei, portanto os pais são obrigados a matricular seus filhos no famoso primário, e o governo tem, por sua vez, a obrigação de disponibilizar vagas sem que nenhum aluno fique de fora.
      As escolas não tem estrutura receptiva. Do contrário os alunos teriam prazer em comparecer às aulas. Lembro-me das escolas de lata, construídas nas gestão de Celso Pitta na cidade de São Paulo. Eu ainda era pequeno, mas quando cresci um pouco mais, elas ainda existiam. Eu já tinha tamanho suficiente para ver que aquilo era um cúmulo. Foram construídas para atender a demanda de alunos enquanto a prefeitura construiria as escolas oficiais. Durante toda a gestão de Celso não aconteceram substituições. Agora me diz: como se estuda numa escola de lata? É um absurdo!
      E outro ponto importante é que o Estado está sempre conseguindo jogar. Ele sempre consegue conter os problemas com soluções ineficazes. Por exemplo, todo ano acontece a tal Prova Brasil. Na minha concepção é muito mais fácil para o governo diminuir o nível da prova a ter que aumentar o nível da educação.

      Bem curiosa essa outra opinião. Sabemos que a cota, bem como os problemas do Estado, vêm da História. Só não acho que essa compensação seja justa.
      Mas é assim que as coisas seguem... Todos conhecem os problemas mas... O que fazem quanto a isso?

      Obrigado, Tais
      Um abraço!

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  5. Não considero a cota racial um preconceito, e sim uma "conquista".
    Se avaliarmos a história dos negros no Brasil, eles só foram libertos do regime escravagista no séc XIX (1888) com a Lei Áurea, e mesmo assim não foram integrados a sociedade brasileira, onde a discrimação e a exclusão econômica "persistiu até o séc XX", quando ações governamentais começaram a surgir em prol aos negros. Porém, essa discriminação e exclusão ainda existe, por isso há mais negros nas classes sociais mais baixas e poucos conseguem chegar a cursar um ensino superior.
    O mesmo acontece com os indígenas, onde poucos chegam a frequentar o banco escolar por conta de vários fatores.
    Concluindo, as cotas raciais são como forças para que estes busquem cursar mais o âmbito escolar, alcançando no futuro um ensino superior, diminuindo assim a desigualdade social e educacional que ainda é persistente no país.

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    1. Olá, Anônimo

      Mas a questão é: como numa sociedade "racional" pode-se falar em direitos atribuídos ao passado? Os negros estão em nossa sociedade bem como todas as outras raças! Nós somos a sociedade. Um todo! À partir do momento que os negros foram libertos a consideração é de que estivéssemos todos em mesmo nível. Claro, logo depois da abolição à escravatura muitos direitos ainda deveriam ser dados àqueles que foram libertos. Mas o ponto a que o texto quer alcançar é justamente a existência dessa diferença em pleno dois mil e doze! Ao invés de ocorrer mudanças na política educacional e na política social, está acontecendo na sistemática da coisa! Estão concedendo direitos como as cotas por ser mais fácil que mudar a desigualdade no país. O Estado, ao aprovar a lei, não disse que é temporária. Portanto o que eles esperam é que a lei das cotas livrem-nos de vários problemas que dificilmente seriam resolvidos com a política imunda e falha do país. As cotas são isso aí. À medida que ela persiste no sistema educacional, persiste-se no erro que leva o país a declínio.

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    2. Sim, concordo. Não deveria existir essas diferenças em pleno 2012, porém existi, por isso criaram as cotas, para que num futuro a diferença seja menor. No momento ela é necessária, porém precisa ser temporária, claro. A mudança tem que ser feita no ensino escolar público, desde o fundamental até o ensino médio e abranger todos os indivíduos da sociedade.
      De certa forma, as cotas já são para começar a diminuir essa desigualdade educacional do país, num futuro, pode ser que melhorem o ensino público (assim espero.). E como você disse, se realmente persistirem nesse sistema educacional,persistirá no erro que leva o páis ao declínio.

      Abraço.
      Ah, gosto muito do seu blog. Parabéns. =D

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    3. Pois então, concordamos nesse ponto! Infelizmente essa é a realidade de muitos estudantes desse país. Falta apoio, falta incentivo e faltam condições. O Brasil não está preocupado com o profissional do futuro desde que seja alguém submisso ao governo ou pelo menos um cidadão indiferente quanto aos problemas governamentais. O Brasil precisa se livrar de todo o lixo político que o assombra. Somos quase mais de cem milhões contra alguns milhares deles. Quem vence?

      Ah, você não tem um perfil no Google u twitter? Qual o seu nome?
      Um abraço, e muito obrigado!

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  6. "Ou somos nós mesmos ou não somos coisa nenhuma. E para ser si mesmo é preciso um trabalho de mouro e uma vigilância incessante na defesa, porque tudo conspira para que sejamos meros números, carneiros dos vários rebanhos - os rebanhos políticos, religiosos ou estéticos. Há no mundo o ódio à exceção - e ser si mesmo é ser exceção. Ser exceção e defendê-la contra todos os assaltos da uniformização: isto me parece a grande coisa."
    Monteiro Lobato

    Monteiro Lobato (1882-1948)

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    1. Bela citação, Tina.
      As palavras do Grande Lobato cá estão a assistir os fatos que nela se encaixam. Passou-se o tempo, mas os problemas são os mesmos.
      Ser si mesmo... Autenticidade, dissernimento, atenção, criticismo. Bons elementos que somados resultariam numa luta com vitória do povo.
      Quero viver para ver coisas assim acontecer?
      É ser muito positivo pensar que as coisas possam mudar ou, como a Tais disse, isso é uma Utopia?
      Não sei se devo sonhar, não sei se devo temer...
      Tento ser "a mim mesmo", pelo menos.

      Um abraço, Tina.

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    2. Se o todo é feito de partes e cada um fizer sua parte mudamos o todo, cedo ou tarde.

      Não acho sadia essa política assistencialista, vejo as intenções subliminares e por vezes escrachadas de se nivelar por baixo, de alimentar a dependência.
      A politicagem amoral que há por trás das cotas e de tanta coisa que a maioria defende, os que não tem instruções e o mais chocante, os que tem e vêem como conquista e benefícios o que não passa de uma massa de manobra.

      Educação, cultura, contestação, ambição para todos \o/

      Não há como sonhar sem temer, mas há como se conformar e acho que essa não é uma boa opção, conformação não rende crônicas, créditos, criações, não abrem janelas e portas.
      Não dar o peixe, ensinar a pescar, conto tão antigo, sabedoria tão popular e sempre tão necessária.

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    3. A política do assistencialismo básico. Vi uma charge sobre isso uma vez, mas não consegui encontrá-la agora.
      É uma pena que grande parte da população esteja treinada como o Estado sempre desejou. Todos cegos, ou pelo menos fingindo sê-lo, para as intenções subliminares e para seus fins diretos.

      O problema é tão antigo que possui uma raíz quase indestrutível. Quase. A esperteza política desse país é inacreditável.

      Tenho pavor àqueles comerciais sobre o Brasil Carinhoso, por exemplo. Ouvi comentários absurdos... É uma hipocrisia tão crua! E passa aos olhos tão despercebida...

      E de peito aberto declara ser a sexta economia mundial...
      Que orgulho todo é esse?


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  7. Tua crônica é muito boa, abordas muito bem o tema e vemos cada uma que nunca queríamos ver. Pena! abraços,chica

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    1. Obrigado, Chica.
      É uma pena mesmo... Esperamos pelo melhor.
      Abraços!

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  8. Oi Luiz, Cada dia que passo aqui fico mais encantada com teu trabalho. Acho importantíssimo tocarmos neste assunto, nossa sociedade precisa de gente como você que que questiona, que se preocupa com o a sociedade onde vive. Não sou a favor nem contra as cotas fico do lado daqueles que refletem até que ponto elas podem ser positivas o não. concordo com muito do que foi falado por você e nos comentários também. Precisamos de políticas bem estruturadas e de melhoras urgentes em nossa educação Básica. Acredito que educando melhor as crianças estaremos rumando bem em caminhos de mudanças significativas. Não falo de forma tópica e sonhadora, mas como professora que vive diariamente o desafio das salas de aula. Há problemas e muitos, mas há que se tomar a posição de fazer a diferença na vida daqueles com quem lidamos diariamente. Nossos alunos, que são também negros e pardos e que futuramente podem sofrer por não terem recebido uma educação de qualidade. Me entristeço com este fato pois lembro que uma andorinha só não faz verão, e um ano com responsabilidade é pouco para conseguirmos mudar de fato uma situação como esta. Te falo isso tudo pois achei brilhante tua iniciativa. Espero que muitas pessoas ainda possam ler tas palavras e de tantos outros que estão sempre a se posicionar r que com esta rede consigamos melhorar nossa qualidade de vida, digo nossa pois como você disse somo Uma sociedade!

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    1. Olá Vanessa!

      Agradeço pelo reconhecimento e carinho, fico muito feliz de ter leitores que são também autores aqui em meu blog.
      Mais uma vez quero parabenizá-la pelo seu trabalho, dessa vez lembrando que não é uma profissão fácil, mas que nela muito se aprende ao passo que se ensina. E é muito gratificante, tenho certeza, estar cercada por crianças. Sabemos que cada uma traz de casa uma maneira de pensar, uma bolsa com os valores adquiridos dentro do lar. Tudo isso dentro de uma sala de aula. Temos muita variedade quando falamos desse convívio social escolar.

      Eu acredito que esse olhar imparcial seja a melhor forma de tratar a questão. Estamos ponderando a fim de chegar em uma conclusão. Isso realmente é mais válido do que bater o pé e dizer SOU CONTRA/ SOU A FAVOR. É importante pensarmos na sociedade escolar como um todo e não só os que estão vindo. Precisamos pensar naqueles que não tem mais tempo de recuperar o que foi perdido. Conheci uma menina que se lamentava por não ter se esforçado mais. Só que eu reconhecia a situação dela. Não tinha internet em casa, não tinha condições de fazer um cursinho e nem mesmo de adquirir materiais que pudessem ajudá-la. O tempo que ela tinha, passava na biblioteca ou lan houses, tentando aprender o máximo que podia.

      Se todos nossos alunos pudessem, na prática, receber ensino de qualidade, poderíamos ter melhores resultados. Acho errado dizer que é só questão de capacidade. Ouvi muito isso! Achei um absurdo. Muitos fatores influenciam no ensino péssimo nacional... O esforço do aluno conta. lógico, mas ele sempre precisará de um suporte para isso que deverá ser concedido pela instituição.

      Eu também espero que muitas pessoas deem suas mãos a nós e participem dessa corrente em prol das mudanças. E também desejo ver mais pessoas frente a uma turma, como você, trilhando os caminhos de amor à profissão.

      Um abraço!

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    2. Olá Luis,

      Olhe eu aqui novamente. Hoje vim lhe dizer que não aguentei e tive que compartilhar a leitura que tive do seu teto em um blog [ o Educação em foco ] que escrevo aos domingos. Fiquei tranquilo que deixei todos os créditos.

      Aqui o link: http://redeeducacaoemfoco.blogspot.com.br/2012/11/o-pensamento-de-num-jovem-sobre-as-cotas.html

      Um abraço!

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    3. Olá, Vanessa!
      Agradeço de verdade pela referência e pela dedicação plena do post a essa questão. Como eu disse no comentário do blog Educação em Foco, é ótimo ver pessoas dando a devida importância a essa questão. São dois agradecimentos!

      Abraço!

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  9. Meus parabéns pelo excelente e tão bem escrito texto.Meu grande abraço.

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  10. Luís Fellipe, sensacional esse seu blog. Muito bem feita essa sua postagem. Só discordo de você num ponto e isso o tornará mais esperançoso. Você citou:

    "Não é fácil que uma pessoa de sessenta anos, por exemplo, mude seus pensamentos e passe a enxergar a precariedade do ensino de seu neto de um ângulo que a impulsione a lutar por um futuro melhor da educação. Não é fácil mudar o que o governo passou anos construindo e que continua. Somos estáticos. Nossas bocas sempre estarão dispostas a reclamar dos problemas, mas nossas mãos quase nunca estarão dispostas a segurar uma responsabilidade de luta; nossas cabeças dificilmente estarão prontas para assumir a nossa participação nesse enorme grupo de comuns. Não gostamos que nos tirem de nossa Zona de Conforto. “Não tá bom, mas tá bom”."

    Estão dispostos a lutar sim. Conheço diversos que lutam e são até tachados de "velhos caducos" e "conservadores".
    Conservadores porque na é poca em que os mais velhos estudavam existia o famoso exame de admissão nas escolas públicas. O objetivo do exame era filtrar o nível de conhecimento dos alunos para que pudessem acompanhar o padrão das escolas públicas. Como passaram por isso e viram um bom resultado, não se conformam com o estrago que foi feito na educação pública. Não vou me alongar muito, mas tome informação do que foi o Colégio Pedro II no Rio, o João Ramalho em São Bernardo do Campo, aquele da Praça da República (em S. Paulo, que me foge o nome agora).
    Escreví tudo isso para mostrar que muitos estão desanimados, mas se conseguirem apoio e união tem um grande interesse que todas as escolas formem pessoas de nível. Acho uma vergonha para o meu país a gente precisar de cotas para estudar. O direito ao estudo é obrigação constitucional. Eu me sentiria mal se precisase ser "cotado" para estudar, ir ao shopping, ir ao teatro, ir ao cinema ou até ir ao baile funk. Portanto vamos nos esforçar para colocar as coisas nos eixos que se quisermos a coisa melhora. Veja o exemplo das Etec's, ITA, e outras.
    Vamos à luta caro amigo Luís Fellipe.
    Grande abraço
    Manoel

    PS: Já estou seguindo e perseguindo o seu blog, rs...rs.(Quem me indicou foi a Tina).

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    1. Olá, Manoel, seja bem-vindo ao blog! Agradeço os elogios, fico muito feliz por sua opinião e participação.

      Ah, gostei muito de ter ressaltado tão bem essa minha generalização. Acredito que seja uma questão cultural. As pessoas a minha volta são assim e eu me prendi muito nisso. São pessoas maravilhosas, mas com esses pequenos probleminhas... Não deveria julgá-los tanto, não tiveram oportunidade de estudo e vez ou outra os vejo lamentar por isso. Com certeza estou mais esperançoso sabendo disso! A sabedoria dessas pessoas são importantíssimas nessa luta. Nós, com absoluta certeza, precisamos deles.

      Na verdade suas informações me enriqueceram ainda mais. Muito se aprende por aqui! Olha quanta informação podemos compartilhar sem burocracia alguma. É maravilhoso poder contar com pessoas como você. Espero vê-lo muitas outras vezes por aqui fazendo isso mesmo! Acho digníssima sua atitude de discordar, pois há pessoas que preferem ficar caladas com medo de que eu não goste. Pelo contrário, me sinto muito bem recebendo opiniões, enriquecendo meus argumentos através de outros pensamentos e, claro, encontrando pessoas boas como você, capazes de explicar sua discordância ao invés de vir aqui e criticar (como em alguns comentários que recebi e apaguei por "criticarem" sem argumento algum).Muito obrigado mesmo, Manoel.

      Espero vê-lo mais vezes por aqui! Vamos, vamos a ela!
      A Tina é uma graça de pessoa, gosto muito de ler o blog dela e de vê-la por aqui.
      Ah!Já segui seu blog também e estou ficando a par de seus escritos rs
      Abraço!

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Obrigado!




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