terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fenda


Luís Fellipe Alves 

A chuva goteja

Goteja na fenda

Fenda goteira

Goteira que leva

Leva o belo

Belo que é bela

Bela que encanta

Encanta que brilha

Brilha que chora

Chora que ri

Ri que demora

Demora que traz

Traz a chuva

Chuva que goteja

Goteja na fenda

Fenda do telhado

Telhado do pensamento.

4 comentários:

  1. Amei!
    \o/
    Tem tom e sonoridade de canção de Arnaldo Antunes, cadência de chuva, de gota que pinga da fenda.
    Fantástico!

    A propósito adoro a palavra goteira e já dormi mto com muitas, sem nenhum incomodo, não fosse as vezes a ideia genial de minha mãe e meu pai de botar panelas, que as faziam soar como pensamentos ruins, baldes que se enxiam e faziam suas quedas ecoarem, como algo a nos lembrar.
    O ideal na minha experiência de goteiras é balde com pano de chão para só o saber e a imaginação ouvirem cair e nunca chegar.

    Que assim sejam nossos pensamentos, pingos e enxurradas de sentimentos, sem barulho, com sons, risos, sonhos, lembranças, encantamentos.

    Falando em gotas, inevitável não pensar em chuva e ai lembar dos bolinhos, que minha vó nunca fez, na Espanha não deve ter, mas tenho como de infância pelas histórias do sitio, histórias dos outros, sentimentos pertencentes as palavras. Mto interessante e bom isso.

    Suco de maracujá não combina com bolinhos de chuva, se sai café bom na casa de vó, cuidado, café borra mais que suco e queima :)

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  2. Oi, Fellipe, adorei as palavras e o ritmo meio alucinante que li! Tudo num fôlego. Gostei, criativo e muito interessante.
    Beijo, bom domingo!

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  3. Que gostoso ler esse poema em dia de chuva aqui no RS!
    Enquanto lia, ouvia e sentia a goteira... um pouco da imaginação, e um pouco da minha realidade aqui. Pingando na calçada, e no telhado dos meus pensamentos...
    Ficou ótimo!!!

    Abraço.

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