domingo, 12 de maio de 2013

Mãe


Difícil encontrar uma definição sentimental sintética para mãe. Não saberia me expressar sem encher linhas e mais linhas e dificilmente me sentiria satisfeito.  Recordo-me, então,  de alguns dos vários momentos memoráveis que passei ao seu lado até hoje, para que, de lembrança a lembrança, seja extraído um pouco do muito que define sua pessoa.  
Lembro-me dos dias em que jantávamos fora e eu era apenas um garotinho. Muitas vezes a comida era a última coisa que eu percebia. Ia logo para o playground, mas sabia que quando eu me cansasse haveria colo de mãe e batata frita me esperando. Às vezes eu demorava a cansar e ela me chamava. Eu ficava bravo, queria brincar mais. Porém, sua persuasão era sempre forte. “Não tem sobremesa se não papar antes...” Pronto. Era o necessário para que eu sucumbisse.
O momento mais dolorido talvez tenha sido o dia que ela, sem querer, apertou meu dedinho na porta do quarto. Lá pelos meus três anos, como um patinho que segue a mãe pata, eu a seguia pela casa sem que ela percebesse. Ela, então, entrou em seu quarto e logo em seguida fechou a porta. Mas, infelizmente, meu dedinho estava no vão oposto ao de abertura. Foi um berreiro. Ela não sabia mais como se desculpar, e pede desculpas até hoje!
Não preciso ir muito longe para recordar. Basta lembrar daquele dia em que ela confundiu massa de pizza brotinho com massa de pizza para frigideira e no final descobrimos o gostinho daquela novidade. Enquanto escutávamos “We found love” tentávamos acertar a mão sem deixar a massa ficar por muito tempo na frigideira. Inventamos recheios, bagunçamos a cozinha, comemos bastante e depois limpamos tudo. Impossível esquecer. 
Seu sexto sentido nunca foi diferente do comum das mães. Alguém, por favor, me explique isso? De onde vem esse sentido louco que impede qualquer preguinha em primeiro de abril? O dia pode estar super-hiper-mega-ultra-high-calor. Se ela disser que vai chover, não penso sequer em desconfiar. Eu acredito na hora e não abro mão do guarda-chuva por nada!
Habilitada há muito mais tempo que eu, minha mãe sempre teve um grande domínio da direção. Entretanto, sua insegurança jamais deixou que ela saísse com alguém aprendendo a dirigir. Foram inúmeras pessoas e ela não conseguiu se encorajar. Até que, então, chegou a vez de seu filho usufruir da permissão para dirigir pelas primeiras vezes. Mamãe fechou os olhos para a insegurança e me ensinou a enfrentar o trânsito, sentada ao meu lado no carro. Essa está entre as mais bonitas e simples provas do seu carinho por mim.
Depois de algumas linhas, sinto ainda que disse muito pouco. Mas, levando-se em conta de que a quantidade de palavras não supriria o real sentimento, paro por aqui. Essa é só uma parte do grande amor que sinto por ela.
O sorriso mais belo, a amizade mais forte e o amor mais sincero.
Essa é a minha mãe.
Um feliz dia das mães. 

Luís Fellipe Alves

2 comentários:

  1. Não haveria melhor descrição para mãe do que momentos triviais, especiais, tristes.
    Um beijo a tua mãe! Outro a você que sabe tão bem significá-la.

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  2. Ai! Ai!
    Suspiros!
    ...
    Para definir bem rapidinho como gostei, se meu filho com 18, 19 anos escrever ou falar algo metade disso, desse jeitinho, com esse carinho, reconhecimento, memória impecável, simplicidade e requintes de detalhes, eu serei uma mãe feliz.
    Abraço apertadinho em sua mãe, extensivo a sua vó \o/

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Obrigado!




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