sexta-feira, 14 de junho de 2013

São Paulo, o exemplo da semana

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A semana foi marcada pelos protestos relacionados ao aumento da tarifa do transporte público na capital paulista. A mídia, obviamente, esteve lá e deixou o país a par da situação, embora que com a pitada de parcialidade comum às situações mais polêmicas pelas quais o país já passou. 

"Depredação" talvez tenha sido a palavra mais usada durante esses quatro e quase cinco dias de protesto. Algumas coisas foram queimadas no meio das avenidas, o vidro da estação Trianon-Masp foi quebrado e paredes foram pichadas. 

Baderneiros, vândalos. Esses foram os adjetivos mais atribuídos às pessoas que estavam a frente do protesto e que valeram-se dos atos depredadores como um grito de guerra. 

Se me perguntarem qual meu posicionamento, responderei, sem dúvidas, que a depredação é o Brasil acordando. Muitos irão discordar e eu não vou discutir esse posicionamento. Toda a minha opinião estará aqui. 

O GOVERNO DEPREDA VIDAS TODOS OS DIAS. Aquela criança vendendo a bala no sinal, aquele mendigo jogado nas calçadas enrolado nos cobertores sujos e velhos. Isso é o vandalismo do Estado. O doente numa maca improvisada, no meio do corredor, com mais pensamentos de morte do que de salvação. Isso sim é a devastação do Brasil!

 A polícia é util na vida cotidiana. E se foi colocada para dar ordem na situação, tem feito seu trabalho muito mal. Ouvi que São Paulo está um caos essa semana e a polícia está ajudando a conter esse problema. Digam-me, por favor, desde quando São Paulo deixou de ser um caos? As políticas públicas só se preocuparam com o trânsito infernal quando ganhou um aspecto de inferno e não dava mais para maquiar. O governo só se preocupou com o crescimento desenfreado da cidade quando já não havia mais espaço entre a metrópole e os pequenos municípios da região. São Paulo está afogada na sua poluição graças a falta de planejamento para conter o problema. Esse protesto de quatro dias nada mais é que a reação pelas ações baderneiras do governo, que acreditou que dessa vez pagaríamos o preço de boca fechada. 

A polícia está agindo irracionalmente. Estão violentando, estão trabalhando sem um senso crítico, estão fazendo aquilo que acham que devem. São repressivos. Utilizam seus sprays para machucarem alguém que está lutando pelo próprio país. Levam pessoas à prisão por simplesmente chutarem um capacete rolando por aí, no meio de uma batalha. Chutam, pegam pelas mangas da camiseta, arrastam, batem. Cães mandados, violentos, sem qualquer respingo de criticismo. Alienados e protetores de uma burguesia suja. 

Vinte centavos é um valor muito pequeno. Ouvi até dizer que não vale um protesto. Vinte centavos é o que o paulistano tem pagado a mais, TODOS OS DIAS. Em quinze dias, pagando vinte centavos a mais, o paulistano deixa de economizar o valor da antiga passagem, R$ 3,00. Por ano, serão R$ 72,00 a menos no bolso do paulistano, que poderia comprar 24 passagens, no valor de R$ 3,00.Uma conta simples e clara. 

É o pobre desse país que precisa levantar cedo todos os dias e encarar baldeação imensa até chegar no seu trabalho e ganhar o mínimo para que volte no outro dia. É o pobre que está engolindo cada vinte centavos a mais que é obrigado a pagar. É o pobre que perderá SETENTA E DOIS REAIS esse ano, graças a esse reajuste abusivo, que logo menos seria reajustado. Estamos apenas buscando pelos nossos direitos. E vamos continuar fazendo até conseguirmos.

Não sou paulistano, mas, como brasileiro, preciso opinar e refletir sobre o que está acontecendo. Luto da forma que posso. Apoio cada estilhaço daquele vidro jogado ao chão, pois um vidro jamais poderá ser comparado às vidas estilhaçadas por quem está no poder. 

Há um grande verde na bandeira deste país denotando a esperança por dias melhores.  Há um grande verde dentro de cada um que está lutando.

Não podemos parar. 

7 comentários:

  1. [gostei muito. me senti em cada palavra]

    abç

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  2. ...e levei esta imagem pra minha linha do tempo lá no face, tá?

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    1. Fique a vontade, Margoh. Na verdade, a imagem veio de lá!

      Obrigado pela visita.

      Abraço

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  3. Gostei do desabafo, do grito de alerta.
    Segue para complementar:
    http://www.melhorquebacon.com/24-momentos-protesto-sao-paulo/

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    1. Desabafei por lá hoje também:
      http://blogdtina.blogspot.com.br/2013/06/por-mais.html

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  4. Nem falo em estilhaços! Os ladrões, que apareceram, cabem no punhado da mão diante daquela multidão que sabe o que quer. É a hora do Brasil, do povo. Quantas lágrimas derramadas, quantas vidas cortadas, quanto terror aconteceu por muito mais que estilhaços e ninguém ouviu os gritos! O grito do povo vira sussurro, ninguém ouve. Como se chama o que fazem com o povo?

    Beijo, Fellipe!

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  5. É lógico que, mesmo sendo um punhado de vândalos, não haveria essa necessidade, pois sabe-se que esses poucos podem ter se infiltrado para o quebra-quebra causando estrago em quem também está na luta. Tudo é construído com os nossos impostos.
    Mas sabemos que acontece. Mas o que importa é o recado do povo, a presença, a luta para mudar o que está apodrecendo. Impossível não chegar esse grito de desespero.

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Obrigado!




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