domingo, 4 de agosto de 2013

Descanso clássico


Semanas agitadas cobram cabeça fria e mente aberta. Não é, porém, com alicates, chaves de fenda e outras ferramentas mecânicas que se obtém êxito nessa tarefa. Muito menos bisturi, por favor. E se a tal pilha de nervos substituir uma pilha de bons autores para ler, os resultados podem não ser satisfatórios.
Há quem consiga descansar fazendo inúmeras coisas ao mesmo tempo. A verdade é que a vida hodierna cobra muito do indivíduo. E a força do hábito, se é que assim pode ser intitulada, acaba que por viciar o ritmo do corpo. Há quem só descanse com olhos fechados. Coisa de humanos.  
Já me disseram para evitar dramas. Comédias levantam o astral e romances deixam a vida parecendo mais azul bebê. Ficar se escondendo da realidade seria um método tão bom? Não acho que seja exatamente positivo.  Depois de um lindo final feliz, a realidade parece ainda mais pesada que antes. Né?
Pois bem. Ando por descansar usando a leitura. Leitura de crônicas engraçadas, como de Walcyr Carrasco ou então os diálogos impossíveis do Veríssimo. Grandes clássicos da literatura, deixo para os dias úteis. É mais fácil de apreender o rebuscamento dos autores enquanto a comunicação e a mente estão mais ativas.
A principal arte do meu descanso sai pelas caixinhas de som do computador. Músicas clássicas, que são parte de trabalhos fantásticos realizados em um período distante, são as agentes pacificadoras do meu final de semana. Já li que são ótimas para fazer a abertura da mente e auxiliam nos estudos. Mas não concomitantemente, acredito.
Pachelbel, com Canon, e Vivaldi com as Quatro Estações são excelentes (e conhecidas) indicações. 
 Encontrei um site com um player em que havia 100 músicas do gênero. Já ouvi todas. Para ouvir, clique
 E no site da Folha,  encontrei a biografia de Pachelbel, Vivaldi e vários outros mestres da música clássica. Vale a pena passar por lá. 

Bom descanso. 


4 comentários:

  1. Também relaxo com literatura. Para mim, especialmente poesia.
    Crônicas, gosto muito de Mário Prata, peguei um livro na biblioteca da escola de meus filhos e me encantei e também ri muito!
    Ouvi a sua indicação de Pachelbel. Maravilha! Transportei-me para meus vinte anos quando frequentava salas para pequenos concertos, cameratas, solos.
    E sobre Vivaldi, tinha justamente lido em meu descanso um poema de Manoel de Barros, deixo um trechinho aqui:

    Na beira da noite a gente estava sem rumo.
    Bernardo apareceu e disse que vento é cavalo.
    Então montamos na garupa do vento e logo chegamos em casa.
    A mãe aflitíssima estava.
    Ela cuidava de todos: lavava, passava e cozinhava para todos.
    Porém à noite a mãe ainda encontrava uma horinha para seu violino.
    Ela tocava para nós Vivaldi.
    E a gente ficava pendurado em lágrimas.

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  2. Boas dicas e práticas. Boa leitura, boas músicas, filmes, são como digo, como alimentos, se sadios nos nutrem e são sustentação, são repouso e ferramentas de apoio nas empreitadas.

    "O livro é a casa onde se descansa do mundo. O livro é a casa do tempo, é a casa de tudo. Mar e rio no mesmo fio, água doce e salgada. O livro é onde a gente se esconde em gruta encantada", disse Roseana Murray.

    Gruta com som de passarinhos, pingos de chuva que aludam a Vivaldi, vida, água pingando como sinfonia em um balde e cheiro de mato molhado para sua semana cheia de compromissos, histórias, crônicas, poemas, apostilas, provas, contas, com tempo para parar e observar detalhes, ainda que a agitação diga que não.

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  3. Pois é, não seria de entender, mas como todos somos diferentes, até que entendo por que muitas pessoas (geralmente as ansiosas), só descansam quando fecham os olhos. O dia para elas é curto. É difícil ficarem quietinhas, pensando, sonhando, lendo, escutando música. Música para elas tem de ser 'paulera'. Vivaldi? Adoroooo, como também os Noturnos de Chopin, Bolero de Ravel, Bach, Schubert, Strauss, Beethoven etc. Fellipe, só escrevo ouvindo os clássicos; só me acalmo com eles.
    Que ótima crônica, toca num ponto meio 'nervoso' do nosso cotidiano.

    Hoje, as crianças tem seu dia tomado por compromissos, diversas atividades. Parar um pouco, ou ter poucas atividades é pejorativo. Credo...
    Vou te enviar uns sites de música, vais adorar!
    Um beijo!

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  4. Luís Fellipe, compartilho de teus pensamentos: não se descansa apenas de olhos fechados! A boa literatura está aí para provar o contrário, uma pena que nem todos encontrem o prazer que nós encontramos lendo e que, por estranho que isso pareça, para alguns a leitura seja sinônimo de tortura - isso é algo que realmente não compreendo!

    Quanto a boa música, é massagem para a alma! É assim que me sinto, não apenas com os clássicos, mas com a boa música em geral: massageada, relaxada, reenergizada. Nem preciso comentar as dicas que você deixou aqui, para mim são preciosidades: adoro todos os citados!

    Vem aí o fim de semana, desejo muito 'descanso' de olhos bem abertos para ti! rsrsrs
    Abraço.

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Obrigado!




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